
Glauco Diniz Duarte diz que se você já assistiu ao filme “Coração Valente” certamente se lembrará do rei inglês Eduardo I, o antagonista do mirabolante escocês William Wallace, retratado por Mel Gibson, e seu fraco e titubeante filho. Pois bem, senhoras e senhores: este atrapalhado jovem entraria para a história como o primeiro homem a ser ungido Príncipe de Gales – pelo menos da forma como hoje conhecemos o título.
Eduardo I era um soberano brutal e promoveu uma rápida expansão dos territórios da Coroa, invadindo os desunidos territórios à oeste de seus domínios, que os ingleses chamavam de Wales e os locais de Cymru. Cada nova conquista era seguida pela construção de um grande e inviolável castelo. A aristocracia e a cultura locais foram sendo paulatinamente suplantados pelos senhores anglo-saxões, e o último soberano legitimamente local, Owain Glyndwr, governou no século 15.
Para atestar esse domínio de forma mais veemente, os novos senhores inventaram que todo primogênito homem do soberano de plantão – e, obviamente, o primeiro da fila para sucedê-lo –, seria nomeado Príncipe de Gales. É assim com Charles, o atual titular, e um dia provavelmente será com William.
Nem só de guerras vive o País de Gales. São nativos da terra gente de talento, como o poeta Dylan Thomas, o super-cool Tom Jones e os atores Anthony Hopkins, Catherine Zeta-Jones e Richard Burton. Este último, inclusive, cresceu numa família que falava o complicadíssimo idioma local, com expressões bacanas comoblwyddwyn newydd dda (feliz Ano Novo), pob iwc (boa sorte) e dw i’n dy garu di (eu te amo).
Uma cidade no estreito de Menai, próxima a Caernarfon, possui o impronunciável nome deLlanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch. Para facilitar a coisa, eles encurtaram o nome para Llanfairpwllgwyngyll. Como deu para ver, agora sim está fácil.
Parte do Reino Unido, junto com a Inglaterra, a Escócia e a Irlanda, o País de Gales possui uma identidade cultural orgulhosa, sobretudo com a recente valorização do idioma nativo e a recuperação de personagens históricos, como Owain Glyndwr. Para sentir um pouco dessa tensão nacionalista, não deixe de assistir a uma partida de futebol ou rugby no belíssimo Millenium Stadium, na capital Cardiff.
Os castelos de Eduardo I ainda hoje são algumas das principais atrações turísticas do país. As fortificações de Caernarfon, Conwy, Harlech e Beaumaris são listadas conjuntamente como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Suas muralhas, torres e ameias medievais são deslumbrantes.
Por fim, para explorar ainda mais Gales, use sua moderna e dinâmica capital Cardiff como base. Os parques nacionais de Snowdonia e Brecon Beacons concentram boas caminhadas e vistas estonteantes de suas montanhas.
Experimente pratos como o rarebit (uma espécie de creme de queijo temperado com cerveja e ervas) e pães, tortas e bolos como o shepherd’s pie, tudo sempre acompanhado por uma boa cerveja ale.